segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Divida de gratidão.

Há uns dias atrás eu sai de casa... Não quero entrar em detalhes sobre os motivos, mas tive-os. Talvez não me entendam, e sinceramente não é isso que espero. Só quero descansar alguns pensamentos atordoados repousando-os nestas linhas.

Ando sentindo falta de coisas que me incomodavam, o barulho da cozinha (que ficava ao lado do meu quarto) com o som da minha mãe fazendo comida, e que saudade da comida da minha gordinha. Sinto falta também da bagunça das crianças, mesmo elas me irritando a maior parte do tempo, o sorriso de cada um. O jeito de brincalhão do Brenno, a inteligência da Nicolli (que chega até ser irritante de tão impressionante), o jeito meigo carinhoso da Jhennifer, o Diego que é a única pessoa que consegue me fazer chorar de tanto rir com suas piadas bestas, e por demonstrar sua preocupação comigo, por se importar tanto. Sinto falta do jeito meio bipolar da minha mãe, de suas gargalhadas ao contar alguma história pra mim (quando estava de bom humor), e do jeito durão do meu pai e o como ele ficava sem jeito ao tentar demonstrar algum afeto por mim. Eu amo minha família. As imperfeições dela é o que a tornam perfeita pra mim.

Ando sentindo da falta de como minha vida era. Mesmo não querendo tê-la de volta, estou feliz assim, me sinto conquistando grandes coisas já, mas a saudade é inevitável. E acho estranho me sentir envelhecendo (e imagino a sensação de um velho ao ler isto. rs). O que quero dizer é que acho estranha a maturidade crescer de uma forma tão rápida, quem sabe até precoce. Eu já enxergava o peso da responsabilidade, eu já sabia como seria, e sim, eu estava preparado, e estou me dando bem. O mundo por fora do portão é assustador, e não é qualquer um que o encara sem olhar pra trás. Mas eu fui treinado pra isso.

Minha mãe é uma mulher um tanto inocente, e às vezes penso que é essa inocência que o torna uma mulher de tanta fé em Deus, nunca conheci uma mulher pra ter tanta fé como ela. E se não fosse essa fé, talvez eu não estivesse aqui, já passei por vários livramentos, não só de morte, mas também de ser preso. E graças a minha mãe, como diz Projota, minha “Rezadeira”, eu estou aqui, saudável e revigorado.

Meu pai me educou de uma forma pra que eu soubesse me virar sozinho, que eu absorvesse cada gota de conhecimento do que eu tivesse oportunidade, que eu aprendesse a aprender observando, que eu tirasse o bom de cada pessoa, principalmente das pessoas de má índole, que eu tivesse ousadia pra não ter medo de me arriscar, que eu soubesse desenhar meu caminho e trilhá-lo honestamente. E eu o amo tanto que sigo seus passos sem que mande, sem que perceba. Sei que o seu sonho é me ter trabalhando ao seu lado, mas não foi assim que você me criou. Você me criou pra que eu fosse como você tem sido, um homem de verdade, batalhador, trabalhador e inimigo da preguiça e principalmente, independente. Um homem com seus próprios sonhos pra realizar, e ter orgulho de tudo o que tiver, por terem sido conquistados com suor da minha pele e vontade do meu coração. Confesso que demorei pra perceber e entender isso, mas estou aqui.

Deixa eu contar...
Sabe aquele garoto de 12 anos que queria trabalhar e seu pai o proibiu e ele o contrariou e de manhã cedo pulou a janela pra cumprir seu turno no primeiro emprego? Aquele cara que não teve oportunidades de crescer dentro de uma pequena empresa e aprendeu a criar suas próprias oportunidades? Aquele que ficou observando como os funcionários maiores faziam seu trabalho e foi anotando tudo e se arriscou a pedir uma chance para seu chefe em horas extras e dizendo que não precisava lhe pagar se caso falhasse? Aquele cara que largou seu emprego fixo e sua estabilidade para abrir sua própria empresa dentro de sua casa, em sua cozinha, com apenas algumas ferramentas, uma bancada e muita fé, nem digo esperança, pois ele sabia que daria certo! Aquele cara que mesmo tendo alguns mals exemplos soube dar destaque e ênfase apenas para os bons e me fez querer me espelhar nas coisas certas.

Mas sei que puxei seu gênio ruim, até um pouco da arrogância talvez, a voz, o olhar... rs

E quando eu sai de casa ele me surpreendeu, foi o único que me apoiou. Disse que isso seria necessário, que eu estava fazendo igualzinho a ele, e que torcia pra que isso fosse sinal de que eu estivesse mais maduro. E não tem coisa melhor no mundo do que sentir que meu pai está orgulhoso de mim por trás daquela armadura (que acabou sendo hereditária).

Obrigado Pai, eu te amo. E a minha mãe e todos os meus irmãos(as), principalmente meu irmão Diego por ter sido meu protetor.

PS: E sei que um dia ainda vamos assistir “O Rei Leão” juntos como quando eu era o seu caçulinha.

Um comentário:

  1. Sobre oq tá escrito, te deixo duas lágrimas direto no teclado, e um sorriso bem grandão ! s2

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