sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Quando eu crescer eu quero ser criança.

Quando eu não tinha barba, era louco pra ter, e hoje ela me incomoda e eu reclamo ao fazer. Quando eu era criança, não via a hora de ter 18 anos pra alcançar minha ilusória independência, e hoje que tenho, queria voltar no tempo. Quando eu não tinha problemas, achava a vida sem graça por ser tão fácil, e queria ter problemas como meus pais, aquela correria parecia interessante. Hoje eu me estresso por ter problemas a resolver e bebo pra esfriar a cabeça.
Quando eu tinha algo que me incomodava era só conversar com meu pai, e quando eu queria algum presente era só pedir pra algum adulto (Mesmo sendo raras as ocasiões que cumpriam promessas, e criança dificilmente esquece um prometido.), e se algum amigo me amolasse ou me falasse mal na escola era só contar pra professora. Mas chega um tempo que eles são obrigados a largar a sua mão naturalmente, e você começa a enfrentar seus pequenos problemas, sozinho.

Antes quando eu me machucava, minha avó cuidava de mim e passava um remédio vermelho e ardido, mas com tanto carinho que eu não me importava com a dor, às vezes eu até inventava alguma dor só pra minha tia dar um beijo e dizer que iria passar rápido. Hoje em dia eu me lembro de receber beijos que me trouxeram dores.

Hoje eu já não choro mais, não por opção, mas pela frieza ter dominado grande parte de mim, já as crianças choram a qualquer coisa, e isso é uma prova de que sentem mais. Sem dúvidas crianças são mais humanos que adultos - mas elas viram adultas-.

Crianças usam mais o seu poder de criar, de sonhar e de imaginar. Eu ainda utilizo minha imaginação pra criar, foi uma das coisas que mantive de criança, lembro-me de quando pegava meus bonecos e fazia um filme que era passado pelos móveis da casa e vasos de plantas. Tudo servia de cenário, e o que não tinha, minha imaginação criava. Pode ser o que falta pra algumas pessoas monótonas e rotineiras - imaginação!- Ela pode ser a tinta que falta para um quadro sem cor, e cá entre nós, as crianças tem cor de sobra. Elas têm a esperança que nos falta, elas são a esperança que nos falta, não só a esperança como talvez a motivação. E tudo isso que elas têm vai se dissipando enquanto os anos passam. Os sonhos adormecendo, a esperança se ocultando e a imaginação se limitando somente ao imaginável.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Você queria ser uma mosca

Que pessoa aquela pessoa deve ser
quando está sozinha consigo mesmo?
O que ela deve fazer quando ninguém a esta vendo?
As moscas sabem.

Será que revê seus conceitos ao cometer um erro?
Será que ela sorri quando não está sendo filmada?
As moscas sabem.

As moscas conhecem dores
que só se revelam
entre quatro paredes sem cores.
Conhecem flores que
só se afloram entre dois céus
e fases de bipolares bicolores.

Elas guardam os segredos
por trás dos bastidores.
Está em seu camarim
enquanto você maquia seu sorriso.

As moscas são as únicas
que não se arriscam a confiar
por te assistirem quando deixa de atuar.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Nossas estrelas

Não sei se foi o bastante
ou se o bastante era pouco.
Decorei seus traços,
e cada verso do seu corpo

Eu só queria ter tido
uma última conversa,
Pois morrer com uma dúvida
é morrer com uma promessa

Não me arrependo se aprendo.
Ilusionista com truques sinceros
que me fez regredir do zero,
calejado, não me surpreendo.

Vimos os fogos, e eu
fotografei em minha memória,
Os olhos brilharam juntos,
Felicidade de branco, notória.

Mesmo de longe,
nunca estará sozinha.
Eu continuo amando estrelas,
mas sem abraçar a minha.

Ela não se apagou,
só não me ilumina, porém,
minha grande certeza,
é de te querer bem.

Me esforcei, senti,
sentei, te ouvi.
Fiz de tudo pro meu tudo,
que era te fazer sorrir.

Já não te encontro
nessa imensa constelação.
Me sinto pronto,
obrigado pela regeneração.

"Simples, direto, de coração."

Caixa de lembranças

O tempo voa, mas também te dá asas.
A brisa do mar é boa, mas também te atrasa.
Sentir o amor é bom, mas também te arrasa.
Andar é necessário assim como voltar pra casa.

Então, deixe-me ir, vou por aí,
tenho um encontro comigo.
Ando meio vazio, meu coração quer ser abrigo...
De alguém,
pra fazer o bem. 

Dividir quatros paredes
e unir as duas sedes,
Companhia de rede.

Juntos, e que nem a morte nos separe, assim: 
Eu viver em você e você viver em mim.
Eu já vivi muito sozin, levei bem, porém,
ninguém é feliz sozin e eu não sou feliz sendo ninguém.